quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Melhor professor da Flórida, brasileiro foi aos EUA por amor

A vida do brasileiro Alexandre Lopes nos Estados Unidos está marcada por uma palavra tão comum quanto poderosa: amor. Foi atrás de um que, em 1995, ele trocou o Rio de Janeiro pela cidade Aventura, no condado de Miami-Dade. O tempo passou, aquele amor acabou, mas Lopes insistiu em seu sonho americano. Formado em produção editorial, chegou a ser comissário de bordo nos EUA. Mas foi quando iniciou o mestrado em educação que conheceu outra paixão que arrebataria sua vida. Em julho, foi escolhido o professor do ano no Estado da Flórida, vencendo cerca de 185 mil pessoas. Aos 43 anos, ele concorre agora na etapa nacional e, se vencer, poderá receber o prêmio das mãos do presidente Barack Obama, na Casa Branca. 

Natural de Petrópolis, no Rio, o brasileiro ganhou o prêmio estadual após percorrer algumas etapas. Primeiro, concorreu na escola em que leciona, a Carol City Elementary, depois, na região central e no condado de Miami-Dade, até chegar ao Estado da Florida. Todos os professores da rede pública do Estado concorrem ao prêmio, concedido pelo Departamento de Educação da Flórida. O resultado da fase nacional deve sair entre abril e maio de 2013.

Lopes conta que, em cada etapa, é necessário um trabalho escrito que demonstre a filosofia e a prática educacional do docente, entre outros quesitos. Os candidatos também são entrevistados e observados em sala de aula pelo comitê de seleção. Quando se apresentam para as entrevistas formais, têm 30 minutos para escrever uma redação sobre um tema surpresa. Os prêmios do condado e do Estado são em dinheiro, mas a etapa estadual, por exemplo, foi patrocinada pela rede de lojas de departamento Macy's, que deu ao professor US$ 10 mil, uma viagem a Nova York com três acompanhantes e um vale para fazer compras nas lojas da rede.

Além dos prêmios materiais, Lopes ganhou outra coisa com o título: popularidade. "De uma hora para outra me tornei uma pessoa pública, tanto nos Estados Unidos como no Brasil", conta o professor. "Há muito que pensar. Sempre fui empenhado e dedicado ao meu trabalho e à minha vida pessoal, e é exatamente assim que planejo ser daqui para frente. Cuido do presente o melhor que posso, e não temo o futuro. Gosto de desafios. Desconfio que o fato de ter sido selecionado entre 185 mil professores não é nada se comparado aos desafios que estão por vir", complementa, antes de elogiar a parceria entre o ensino público e patrocinadores privados para estabelecer um programa de reconhecimento aos professores.

Com o prêmio, Lopes terá de cumprir uma extensa agenda no próximo ano, dedicando-se a palestras, workshops e outras atividades fora da sala de aula.

O começo de tudo

Ainda no Brasil, Lopes se formou em produção editorial na Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Desde o jardim-de-infância até o final do meu bacharelado, sempre fui ensinado por educadores brasileiros. Acho que cheguei aonde cheguei, em grande parte, devido aos grandes mestres que tive no Brasil", ressalta.

Logo que chegou aos Estados Unidos, contudo, ele ainda não pensava em ser professor, apesar do desejo já haver se manifestado quando criança. Lopes chegou a trabalhar como comissário de bordo, voando rotas latino-americanas como intérprete de português e espanhol. Quando a vocação começou a se manifestar, procurou um mestrado na área de ensino, especializando-se em educação especial na primeira infância na Universidade de Miami. Atualmente, ele cursa o doutorado em educação especial e educação urbana na Universidade Internacional da Flórida.

O projeto

Foi no mestrado que o professor começou a se envolver com o programa de inclusão para crianças com autismo em sala de aula, utilizando o método Learning Experiences - An Alternative Program for Preschoolers and Parents (LEAP, Experiências de aprendizado - um programa alternativo para pré-escolares e pais, em tradução livre).

No programa, alguns alunos têm autismo e outros têm o desenvolvimento típico para a idade. "Minha visão educacional é holística. Cuido do lado acadêmico, mas também do lado social e emocional de meus alunos", conta o educador, explicando que, por se tratar de uma área carente e com muitos imigrantes, muitos estudantes têm dificuldade em se adaptar. Lopes usa música e tecnologia em sala de aula e busca integrar a família e a comunidade com os alunos. "Tudo dentro de minha sala contém um rótulo e está acessível aos meus alunos, pois assim eles podem explorar o ambiente e tomar as rédeas da própria educação", afirma.

Questionado se tem intenção de um dia retornar ao Brasil para desenvolver um projeto semelhante, Lopes disse ainda não ter planos. "Sinto-me lisonjeado com o interesse do povo brasileiro pelo meu trabalho. Mas tudo é tão recente que ainda não consegui colocar minhas ideias em ordem. Quanto ao futuro, ele nada mais é que uma consequência do presente. O que tiver que vir virá e será de bom tamanho", declara.

Fonte: Portal Terra

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